Sinta essa liberdade
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Existe prazer nas matas densas. Existe contemplação e encantamento nas alturas. Existe convivência sem que aja intromissão no mar profundo e musica em seu ruído. Ao homem não amo pouco, porém muito a natureza - Lord Byron
Leitura Boa
Superando o cárcere da emoção - Livro de Augusto Cury
Como pesquisador da Psicologia, tenho estudado exaustivamente a humanidade de Cristo. No passado, achava que Ele era fruto da imaginação e da cultura humana. Porém, analisando detalhadamente comportamentos, reações e atitudes do Mestre de Nazaré contidos nos textos dos Evangelhos, percebi que nenhum escritor poderia idealizar um personagem como Ele.
O resultado desse estudo psicológico, e não teológico, está sendo publicado na coleção de livros Análise da Inteligência de Cristo.
Estudar os meandros de Sua inteligência, Seus focos de tensão e Seus mecanismos de superação pode ajudar-nos muito a superar as nossas próprias intempéries e dar um novo sentido a nossas vidas.
Por isso gostaria de fazer um breve comentário sobre alguns aspectos de sua personalidade.
Cristo teve um nascimento indigno e uma história de turbulências e aflições. Nasceu entre os animais. No aconchego de um estábulo, Ele derramou suas primeiras lágrimas. O ar saturado do odor azedo de estrume fermentado ventilou pela primeira vez em seus pequenos pulmões. Provavelmente, até as crianças mais pobres têm um nascimento mais digno do que Ele teve.
Quando tinha dois anos, deveria estar brincando, mas já atravessava grandes sofrimentos. Era perseguido de morte por Herodes. Tinha uma inteligência incomum para um adolescente e foi admirado aos doze anos por intelectuais da época. Todavia, tornou-se um carpinteiro. As mãos grossas e o rosto castigado pelo sol escondiam a mais elevada sabedoria que alguém já teve. Discursou sobre o amor, a tolerância e o respeito humano como nenhum pensador. Embora acolhesse as pessoas mais desprezadas da sociedade e seus discursos exalassem aromas de paz, Ele foi o mais discriminado e incompreendido dos homens.
Tinha, portanto, todos os motivos para ser uma pessoa tensa, ansiosa, irritada e infeliz, mas, para nosso espanto, era uma pessoa alegre e tranquila. Apresentou-se como uma fonte de prazer, uma fonte de água viva que matava a sede da alma humana. Quem, no deserto mais escaldante, conseguiu, como Ele, fazer de sua vida um oásis inesgotável que saciava a sede dos sedentos?
Por incrível que pareça, Ele fazia poesia até mesmo de Sua miséria. Muitos têm bons motivos para ser alegres, mas estão sempre insatisfeitos. São incapazes de valorizar o que têm, valorizam apenas o que não têm.
Jesus, ao contrário, tinha muito pouco exteriormente, mas fazia muito do pouco. Nele não havia sombra de insatisfação. Reclamação não fazia parte do dicionário de Sua vida. Nunca acusava ninguém por suas misérias.
Era forte para enfrentar Seus desafios sem precisar ferir nem agredir ninguém.
Os homens podiam desistir Dele, mas Ele nunca desistia de ninguém.
A única maneira de cortá-lo da terra dos viventes era matá-lo, extrair-lhe cada gota de sangue. Ele demonstrou que, mesmo diante do caos, vale a pena viver a vida. Jesus Cristo foi o Mestre da sensibilidade.
A história do Mestre da Galiléia deve ensinar-nos importantes lições de vida. Podemos chorar e nos angustiar pelas nossas dificuldades e conflitos, mas nunca devemos desistir de nós mesmos. Podemos nos abater, mas nunca desanimar. Devemos amar a perseverança como quem ama o melhor amigo.
A capacidade de recomeçar tudo, quantas vezes forem necessárias, faz dos fracos, fortes. A firme convicção de continuar sempre lutando, ainda que com algumas derrotas, alimenta o sonho da vitória.
O Mestre era o único na Sua época que conseguia ver o que ninguém via. A sua frente, só havia pedras e areia, mas Ele conseguia erguer os olhos e ver os campos branquejando, embora estivesse apenas lançando as primeiras sementes na terra.
Ele causou a maior revolução da História, sem desembainhar uma espada, sem usar qualquer violência. Não precisamos revolucionar o mundo, mas devemos revolucionar as nossas vidas, o nosso espírito, a nossa capacidade de pensar e de ver a vida. Se assim o fizermos, certamente estaremos plantando um jardim onde antes só havia pedras e areia.
Fonte: Livro de Augusto Cury - Superando o cárcere da emoção
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